sábado, 19 de abril de 2014

Histórias

É uma pena que todas essas histórias, todas essas pessoas, essas lembranças aos poucos vão sendo esquecidas. Jogadas de lado, deixadas escondidas por debaixo da cama. Escondidas numa caixa de sapato ou na carapaça do coração. Memórias invisíveis que chegam até a doer. Todos temos uma história a contar, não é difícil encontrar alguém que quer ouvir. Difícil é encontrar alguém para construir todos esses momentos, sem te deixar, sem ir embora, ou que se for, que volte e que fique. Não se pode cortar as asas das pessoas, se deve tentar voar juntos. Mas eu, ah! Eu nasci sem asas, mas está tudo bem. Posso não ter asas, mas vou ter essas lembranças, guardadas em algum lugar por aqui...

CGM

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mundo Redondamente Quadrado

Eu enxergava a vida redonda. De uns tempos para cá, de alguns anos até, eu via grandes bolas brilhosas. Eram postes de luz e quando eu olhava para o céu, as estrelas também eram bolas brilhosas. Eu sabia o que eram, sabia que eram estrelas e lâmpadas, mas de repente ficaram sem foco e se transformaram em bolas brilhosas. Assim como não conseguia mais ver  direito as expressões no rosto das pessoas e as coisas distantes. Eu não queria ter perdido a minha capacidade de enxergar tudo nítido e perfeito, mas tudo o que eu via se tornou turvo. Não queria ter essa dependência, de ter que usar óculos ou lentes, mas tudo ficou muito difícil, as dores de cabeça me incomodava...

Hoje enxergo tudo quadrado, tenho agora limites. Voltei a enxergar tudo nítido e perfeito, mas tudo tão limitado, dentro das minhas lentes quadradas. O problema não foi basicamente esse, mas foi perceber que eu até posso me acostumar com um mundo quadrado, mas não posso deixar de observar que eu fiquei muito tempo tendo que ver as coisas erradas, turvas e sem foco por causa da minha teimosia de não querer usar óculos.  

CGM